Cursos de Libras oferecidos pela Prefeitura encerram o ano com mais de 500 alunos formados

Alunos que frequentaram durante o ano o Curso de Libras promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) participaram, nesta segunda (2) e terça-feira (3), da formatura do curso dos níveis básico I, básico II, intermediário, avançado e formação para tradutor/intérprete de Libras, que aconteceu no auditório do Centro de Formação da Semed.

Ao todo, 500 alunos conquistaram o certificado de conclusão dos cursos, que têm duração de um ano. A proposta é atender a comunidade escolar e a população, atendendo ao Decreto n. 5626/05. O prefeito Marquinhos Trad e a secretária municipal de Educação, Elza Fernandes, marcaram presença no evento. Além de profissionais da área da Educação, o curso também é oferecido de forma gratuita a integrantes da comunidade escolar e familiares de pessoas surdas.

O prefeito Marquinhos Trad fdestacou a criação do Centro Municipal de Interpretação de Libras, projeto de lei do vereador Otávio Trad, que será um marco na Capital quanto a valorização e inclusão das pessoas com surdez. O prefeito explicou que o espaço irá facilitar a comunicação com os surdos nos locais públicos por meio de transmissão de vídeos ao vivo, através de um tablet, garantindo uma comunicação em tempo real entre intérpretes, e pessoas com deficiência auditiva.

“A Central vai permitir o acesso da pessoa surda aos serviços públicos com mais facilidade. Fala-se muito em nosso país sobre inclusão, mas na prática essa palavra muitas vezes é deixada de lado e é muito importante que vocês tenham escolhido fazer um curso dessa natureza para auxiliar àqueles que não têm condições de se comunicar com o próximo”, afirmou.

A secretária Elza Fernandes destacou o empenho dos alunos em concluir o curso. “É muito importante porque hoje as pessoas surdas ou com qualquer outra deficiência são atuantes na sociedade e precisamos buscar meios de nos comunicarmos melhor com elas”, disse.

A chefe da Divisão de Educação Especial da Rede Municipal de Ensino (Reme), Lizabete Coutinho, lembrou que a Rede Municipal de Ensino de Campo Grande é aúnica do país a cumprir a legislação federal que promove a inclusão social, como a lei nº 10.436/02, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, por isso, segundo ela, o curso de Libras ofertado pela Semed é importante para garantir a difusão do ensino da Língua Brasileira de Sinais para familiares de pessoas surdas, professores, profissionais da saúde e do comércio.

Nossa gestão tem este comprometimento com a inclusão, tanto que nosso trabalho já virou referência nacional porque trabalhamos para ampliar cada vez mais as oportunidades na Reme”, pontuou.

O resultado deste trabalho são os 2.547 alunos com deficiência atendidos este ano nas unidades da Reme. Deste total, 103 têm surdez, que dispõem de duas salas de recursos multifuncionais, localizadas nas escolas “Professor Licurgo de Oliveira Bastos” e “Plínio Mendes”, específicas para atendimento de pessoas surdas.

No total, a Reme conta com 52 intérpretes para atender a estes alunos e a ideia é ampliar o quadro de profissionais, por isso o investimento nos cursos de Libras, já que o número de alunos surdos matriculados na Reme vem crescendo a cada ano.

Oportunidade de ajudar

A dona de casa Regina Yoko Kamia Saito, que concluiu o nível Intermediário do curso, contou que decidiu estudar Libras para ajudar na comunicação com o filho Renzo. Ela disse que se interessou após ver o trabalho da professora intérprete que trabalhava com seu filho em sala de aula. “Apesar do Renzo ser oralizado graças ao uso de aparelho auditivo e um implante, nós estudamos juntos e eu passo para ele o que aprendi no curso e ele, o que viu em sala de aula. Quando ele não consegue verbalizar algo, usamos a linguagem de sinais”, disse.

Também interessada na inclusão social, a pedagoga Pâmela Cristina Miranda Dantas enfatizou que se interessou pelo curso depois de conhecer a realidade uma criança surda na escola em que trabalhava. “Sou muito interessada por áreas novas e acho a Libras fascinante. Também ficava agoniada quando uma pessoa surda me pedia informação e eu não conseguia ajudar, por isso acho  maravilhoso oferecer gratuitamente este curso para a população”, destacou.