Ana Gabriela Nogueira fecha ano árduo com o bronze no ciclismo nos Jogos Escolares

Ana Gabriela Nogueira encerrou a participação de Mato Grosso do Sul no ciclismo na etapa nacional dos Jogos Escolares da Juventude (JEJ) 2019 com medalha de bronze, na prova de estrada individual feminina. A disputa, no último dia de competição em Blumenau-SC, na sexta-feira (29.11), ocorreu em trecho da Rua Humberto de Campos, em frente ao Parque Vila Germânica.

A delegação sul-mato-grossense no maior evento esportivo-estudantil do país teve o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte). O torneio no município catarinense foi realizado de 16 a 30 de novembro. O terceiro e último bloco de modalidades (ciclismo, vôlei de praia, tênis de mesa, natação, ginástica rítmica e xadrez) teve início no dia 26.

As alunas-atletas, no grupo etário de 15 a 17 anos, tiveram de pedalar, em circuito, por 35 minutos, mais uma volta, na disputa que é conhecida no meio ciclístico como “prova de resistência”. Para alcançar a terceira posição, a sul-mato-grossense, do Colégio Elite Mace, teve de bater 35min17s960 de tempo. A primeira colocada, Júlia Maria Constantino, do Paraná, fez 35min11s971. Já a paulista Júlia Leite Braga pedalou em 35min14s060 e assegurou a prata.

Cabeça erguida e volta por cima

O ano de 2019 não foi fácil para a campo-grandense de 16 anos. Ana Gabriela fraturou o cotovelo esquerdo a dois meses do Campeonato Brasileiro de Ciclismo de Estrada Júnior, realizado em julho deste ano, em Maringá-PR. “Essa é uma vitória muito grande para mim. Tive de lutar muito para estar em Blumenau. O bronze foi a volta por cima e eu fico muito orgulhosa de mim mesma. Sem dúvida, foi uma experiência indescritível”, relatou a atleta, que esteve em Santa Catarina acompanhada dos pais Waldirene Paes e José Ricardo Nogueira.

“A medalha nos Escolares já era sonhada. Quando viemos para cá, o objetivo em mente era subir pelo menos uma vez ao pódio. Foi de bronze, mas tem um valor enorme para a gente, porque só nós, que acompanhamos a rotina, sabemos as dificuldades da atleta, principalmente em conciliar estudo e treinamentos, além da superação da fratura”, destacou o pai, responsável por iniciar a veia ciclística na família, comprando a primeira bike, há sete anos.

Assim que ultrapassou a linha de chegada, Waldirene Paes correu ao encontro da filha com os olhos marejados de lágrimas e, ao mesmo tempo, um sorriso incontrolável no rosto. “Chegar em Blumenau depois de tudo que aconteceu neste ano [fratura no cotovelo], do tempo de recuperação e ela levar um bronze nos Jogos Escolares, para nós é uma vitória sem tamanho. Foi muita emoção, não tive como controlar. A voz ficou trêmula e, na hora, veio a vontade de chorar. As lágrimas foram de felicidade”, confessou a

Segundo Ana Gabriela, a contusão no braço gerou insegurança nas três provas disputadas nos JEJ Blumenau. “Senti uma insegurança, por mais que tenha treinado bastante, mas é normal. Tentei driblar ao máximo isso. É muita pressão, é um campeonato brasileiro”.

O pai conta que momentos antes da prova de resistência, Ana Gabriela sentiu enjoo e ficou muito ansiosa ao assistir as disputas anteriores, da categoria de 12 a 14 anos. “Chamei ela pra dar uma volta, tomar um ar, fiz algumas brincadeiras para ela se descontrair e não sentir a pressão. Tive também uma conversa motivacional com ela na noite anterior, para ‘jogá-la pra cima’. Depois de todo esse trabalho psicológico, senti que ela estava confiante e que daria o melhor de si, e foi o que aconteceu. Para vencer dá trabalho, dói, mas o sabor é gratificante no final”.

A aluna-atleta de Campo Grande, que iniciou no pedal com nove anos de idade, foi bronze na prova de resistência do Campeonato Brasileiro de 2016 e campeã em 2017, ano que também marcou o terceiro lugar na contrarrelógio. Há dois anos, também sagrou-se tetracampeã estadual (estrada e mountain bike). Ana Gabriela selou 2017, o “ano perfeito”, recebendo, como atleta destaque, o “Prêmio Fundesporte: Troféu Ubyratan Leite de Arruda”.

Dedicação extrema

Para o técnico responsável pela equipe de ciclismo nos JEJ, Rogério Oliveira, a condecoração bronzeada da campo-grandense foi mais do que merecida. “Eu vi que a Ana estava tremendo ao término da prova, ou seja, houve um esforço físico imenso, ela deu o máximo de si, queria a medalha e conseguiu, foi mais do que justo”. Além da estrada, a atleta da capital do Estado ficou em quarto na prova por pontuação e na sétima posição na de velocidade (contrarrelógio).

Outros ciclistas de Mato Grosso do Sul também incendiaram os pneus e derramaram suor no asfalto blumenauense. Wilson Junior da Costa, da Escola Estadual José Ferreira da Costa, de Costa Rica, pela categoria A (12-14 anos), terminou a contrarrelógio na 15ª colocação, em sexto na disputa por pontos e em sétimo na estrada individual.

Na mesma faixa etária, a jardinense Brenda Becker, da Escola Estadual Pedro José Rufino, faturou a medalha de bronze na prova valendo pontuação, ficou em oitavo na de velocidade e fechou a de resistência com o quinto melhor tempo. Em 2020, a ciclista de Jardim brigará por classificação à fase nacional da competição na categoria B (15-17 anos).

Kawãh David, estudante do Colégio Atenas, campeão por velocidade e resistência na edição nacional de 2018, em Natal-RN, pela classe de 12 a 14 anos, estreou com destaque entre os mais velhos, em Santa Catarina. O sul-chapadense terminou a contrarrelógio na nona posição, entre 24 atletas. Por pouco, não subiu ao pódio nas provas por pontos e no circuito de estrada, encerrando ambas em quarto lugar.

“Eles não desistiram jamais. As outras equipes, de outros estados, vieram muito fortes, com atletas bem preparados. Nosso time, então, está de parabéns pelo esforço. Em todo final de prova, nossos atletas estavam ofegantes, não conseguiam nem falar de tão cansados, tremendo pelo desgaste físico. Então, ficou bem claro que não houve desistência em momento algum, entregaram o máximo na parte física e técnica para representar bem Mato Grosso do Sul”, avaliou o técnico Rogério Oliveira.