Coronavírus: OMS quer ter “uma visão mais clara” do “salto” em número de casos e mortes

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Os novos casos confirmados subiram quase 10 vezes e as mortes mais do que duplicaram em apenas 24 horas na província de Hubei. A China anunciou uma alteração dos critérios de diagnóstico usados para confirmar novos casos. Contactada pelo Expresso, a OMS diz que “a nova definição de casos alarga a rede”, estando a agência “a acompanhar a situação”

De um dia para o outro, o número de novos casos confirmados da epidemia de coronavírus, agora oficialmente conhecido como Covid-19, subiu quase 10 vezes e o número de mortes mais do que duplicou na província chinesa de Hubei.

Segundo o jornal “South China Morning Post”, a comissão de saúde de Hubei, epicentro do vírus, anunciou a alteração dos critérios de diagnóstico usados para confirmar novos casos, o que significa que os médicos têm agora maior discricionariedade para determinar que pacientes estão infetados.

O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jašarević, disse ao Expresso que a agência está a “a acompanhar a situação para ter uma visão mais clara das atualizações recentes da definição e do protocolo seguido pela China na divulgação dos casos”. “É nosso entendimento atual que a nova definição de casos alarga a rede, incluindo não apenas casos confirmados em laboratório, mas também casos clinicamente diagnosticados com base em sintomas e exposição”, acrescenta. “O salto registado reflete a definição mais abrangente”, refere o porta-voz, assegurando que a OMS irá partilhar mais informações à medida que as for recebendo.

O Covid-19 espalhou-se a pelo menos 24 países, infetando 60.376 pessoas em todo o mundo. A esmagadora maioria das ocorrências continua a ser registada na China continental: 59.804 casos e 1.370 mortes. No número global de óbitos acresce uma morte nas Filipinas, outra na região administrativa especial chinesa de Hong Kong e uma terceira no Japão, o segundo país mais afetado depois da China.

PURGA DE DIRIGENTES PROVINCIAIS DO PARTIDO COMUNISTA
Entretanto, a purga de dirigentes do Partido Comunista em Hubei pelo Governo central de Pequim prossegue. O secretário do partido na província, Jiang Chaoliang, foi substituído pelo presidente da Câmara de Xangai, um aliado próximo do Presidente chinês, Xi Jinping, revelou a agência oficial de notícias Xinhua. Jiang é até agora a vítima política de mais alta patente do surto.

O líder do partido na cidade de Wuhan (capital de Hubei, onde se acredita que a epidemia terá começado num mercado de marisco e carne), Ma Guoqiang, também perdeu o emprego, acrescentou a Xinhua, e o seu lugar será ocupado por Wang Zhonglin, secretário do partido na capital da província de Shandong, Jinan.

A remoção dos dois líderes do Partido Comunista segue-se ao afastamento dos dois principais funcionários de saúde em Hubei no início da semana.

“O SURTO AINDA PODE TOMAR QUALQUER DIREÇÃO”, DIZ OMS
As mudanças estão em linha com a mensagem de Xi na quarta-feira de que tinha sido feito progresso no controlo do surto e que, na maior parte do país, o foco devia ser agora o regresso ao trabalho.

A OMS mostra-se mais cautelosa. “O surto ainda pode tomar qualquer direção”, afirmou o seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que considerou ser “muito cedo” para fazer previsões sobre o fim da epidemia.

APÓS CINCO RECUSAS, CRUZEIRO ATRACA NO CAMBOJA
O navio de cruzeiro MS Westerdam atracou na manhã desta quinta-feira no Camboja depois de ter sido impedido de o fazer no Japão, Taiwan, Guam (território insular dos EUA na Micronésia), Filipinas e Tailândia, devido a receios relacionados com o vírus.

O diretor-geral da OMS elogiou as autoridades cambojanas: “Este é um exemplo da solidariedade internacional a que temos consistentemente apelado. Os surtos podem trazer à tona o melhor e o pior das pessoas. Estigmatizar indivíduos ou nações inteiras não faz senão prejudicar a resposta.”

Já o navio Diamond Princess, que está em quarentena ao largo de Yokohama, perto de Tóquio, continua a reportar mais casos de Covid-19 a bordo. No Japão, onde foram registados, até ao momento, 248 casos de infeção, foi confirmada esta quinta-feira a primeira morte, conforme anunciou o ministro da Saúde japonês, Katsunobu Kato. Trata-se de uma mulher de cerca de 80 anos, que não se encontrava a bordo desse navio.

Fonte: Expresso