Da guerra às pandemias, segurança mundial discute-se em Munique

ANDREAS GEBERT/REUTERS

Basta percorrer os títulos da imprensa internacional para perceber que o assunto é sério. A agência noticiosa chinesa Xinhua faz uma lista analítica dos assuntos quentes a discutir em Munique, o “Financial Times” destaca que o Reino Unido foi criticado por dar menos importância à conferência e a Aljazeera diz-nos o que esperar da edição deste ano da Conferência de Segurança de Munique 2020.

Trinta e cinco chefes de Estado e meio milhar de políticos, funcionários de agências nacionais e internacionais e espiões, vão conviver intensamente durante três dias no velho Hotel Bayerischer Hof da capital do estado da Baviera para discutir a situação da segurança na Europa e no mundo. As preocupações maiores vão deter-se na guerra na Líbia e no Iémen e o potencial incendiário da região que têm, bem como a tensão renovada do conflito Índia e Caxemira.

Debaixo de lupa estará igualmente a definição da identidade e o papel do Ocidente na segurança mundial. A organização sublinha que este ponto reflete o mal-estar nas relações transatlânticas e a ordem pós-guerra “à medida que [o Presidente dos Estados Unidos] Donald Trump afasta cada vez mais os EUA da Europa”, lê-se no site da televisão do Qatar.

Do ponto de vista político, a coesão europeia vai estar em discussão na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia e do crescimento dos nacionalismos e dos regimes iliberais no Velho Continente.

“Nas décadas passadas, a resposta à pergunta sobre o que mantinha o Ocidente unido era clara: o compromisso com a democracia liberal e com os direitos humanos numa economia baseada no mercado, e a cooperação internacional nas instituições internacionais”, lê-se no Relatório 2020 da Segurança de Munique, publicado antes do início da conferência. “Hoje, o conceito de Ocidente volta a ser cada vez mais contestado”, conclui o texto.

UM FÓRUM IMPORTANTE DESDE 1963

O Nordstream 2 vai ser tema quente, destaca a Xinhua. O gasoduto de 1230 quilómetros de extensão deverá distribuir 55 mil milhões de metros cúbicos de gás russo à China já a partir de 2020. Foi objeto de crítica por parte do Presidente norte-americano, que diz que a Europa ficará demasiado dependente da Rússia.

Pelo seu lado, a Alemanha “rejeita firmemente” a legislação dos EUA que impõe sanções a empresas de construção do gasoduto da Rússia para a Europa.

Destaque ainda para as relações dos EUA e do Irão. O discurso do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, vai captar as atenções, já que costuma frequentar a conferência onde faz discursos muitas vezes considerados vitais. Este ano em particular, após o assassínio de Qassam Suleimani, o ex-líder da Guarda Islâmica da Revolução, sob ordens da presidência americana.

Um painel especial sobre saúde global tratará da epidemia do novo coronavírus contando com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Fonte: Expresso