Campo Grande / MS - domingo, 19 de setembro de 2021
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Santa Casa de Campo Grande, 104 anos

Publicado em: 14/09/2021 - 5:18

A Santa Casa de Campo Grande comemora
neste 17 de agosto, 104 anos do início de
atividades de um grupo seleto de cidadãos
irmanados pelo ideal divino da compaixão e amor
ao próximo. Liderados por Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Joaquim Cézar, Camillo
Boni, José Alves Quito, João Clímaco Vidal, Enoch
Vieira de Almeida, Victor M. Pace e Eusébio Teixeira, entre outros, criaram uma subscrição pública
de arrecadação financeira, cuja denominação era,
literalmente: “Lista destinada à inscripção das pessoas que contribuem, dando uma esmola, para a
creação da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA
DE CAMPO GRANDE, refúgio, em breve tempo,
dos doentes pobres e desvalidos”.
Foram arrecadados, na ocasião, 28.000$500
contos de réis. Foi o início de uma realização que se
concretizou em 1928, com a inauguração dos primeiros pavilhões do hospital, dando início ao atendimento à população.
Hoje, mais de um século depois, a Santa
Casa de Campo Grande é a quarta Santa Casa do
país, compreendendo um complexo de 44 mil metros quadrados de área construída, distribuídos ao

longo de 60 mil metros quadrados de terreno, constituindo um robusto e imponente quarteirão entre a
avenida Mato Grosso e as ruas Rui Barbosa, 13 de
maio e Eduardo Santos Pereira, justamente o nome
de seu fundador primordial.
A Santa Casa está habilitada com as mais
variadas especialidades médicas, das quais destacamos cardiologia pediátrica, cirurgia cardiovascular pediátrica, cirurgia bucomaxilofacial (nossos
profi ssionais são verdadeiros artesãos ao reconstituir com muito talento e dedicação a conformação
facial de acidentados) e neurocirurgia, além de ter conquistado a referência nacional no tratamento a
queimados. Também estamos habilitados a realizar
transplante de córnea, coração e rins.
A instituição emerge da pandemia com um
histórico excepcional de solidariedade e fraternidade. Embora não seja referenciada para o atendimento da Covid-19 – tivemos que assumir todos os
demais atendimentos médicos hospitalares de emergência de nossa cidade e do estado, pois o Hospital
Universitário e o Hospital Regional estavam sobrecarregados com o atendimento da pandemia –, ainda assim disponibilizamos 120 leitos da unidade de
trauma, que por ter acesso independente nos permitiu atender com segurança e colaborar com 90 leitos
de enfermaria, 20 de CTI para o tratamento da Covid, além de 10 leitos UTI para pacientes não Covid.
Em função da dedicação, coragem, solidariedade e fraternidade demonstradas pelo nosso corpo clínico e de enfermagem, manifestamos o nosso
mais sincero reconhecimento a esses profi ssionais
que se mantiveram incansáveis, leais e assertivos
na linha de frente do atendimento aos pacientes,
sem desanimar e com plena dedicação, sempre de
forma afetuosa e cooperativa. Com justa coragem
e desprendimento, cumpriram seu dever com honra
e mérito.
Ao longo deste ano e meio de pandemia, a
prática médica rotineira foi sacudida pela urgência
que se impôs, despertando mais agilidade no relacionamento interno e na comunicação entre médicos e
profi ssionais de saúde, sempre baseados no respeito
mútuo, humanizando a medicina ao fazer da arte de
curar uma prática sagrada, estabelecendo uma comunicação mais direta e respeitosa com pacientes
e seus familiares – muitas vezes ansiosos, preocupados, nervosos, irritados –, irradiando uma onda
de solidariedade e de amor que enriqueceu a todos.
A pandemia serviu também para reconhecermos a importância fundamental de agradecer a
Deus e de seguirmos fi rmes, praticando o Seu mandamento de amor ao próximo.
A nossa Santa Casa chega assim aos 104
anos cumprindo a sua destinação histórica de “refúgio, em breve tempo, dos doentes pobres e desvalidos”.
Presidente da ABCG Santa Casa de Campo Grande
Heitor Rodrigues Freire



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