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Arrancam audições públicas no impeachment a Trump. É a terceira vez na história dos EUA

Publicado em: 11/13/2019 - 8:56

Perto de dois meses depois de uma investigação feita quase exclusivamente em privado, os democratas irão acusar Trump de suborno e abuso de poder. As audições darão aos congressistas republicanos a primeira oportunidade para defenderem o seu Presidente. No centro do processo está a conversa telefónica entre Trump e o seu homólogo ucraniano

A Câmara dos Representantes abre esta quarta-feira as suas portas para as primeiras audições públicas na investigação de ‘impeachment’ a Donald Trump que, no limite e após um longo processo, poderá levar à destituição do Presidente. Trata-se da terceira vez que tal acontece na história moderna dos EUA.

Após sete semanas de verificação de factos, feita quase exclusivamente em privado, os democratas, maioritários na câmara baixa do Congresso, irão acusar Trump de suborno e abuso de poder, escreve o jornal “The New York Times”.

O processo centra-se nas alegações de que Trump pressionou a Ucrânia a anunciar publicamente uma investigação ao ex-vice-Presidente americano Joe Biden. Biden é um dos candidatos mais bem posicionados para conseguir a nomeação democrata às presidenciais do próximo ano em que Trump tentará a reeleição. O atual Presidente tem feito acusações de corrupção, já refutadas, contra Biden e o filho Hunter, que trabalhou para a Burisma, uma empresa ucraniana de gás.

O POLÉMICO TELEFONEMA COMO PEÇA-CHAVE
Os democratas alegam que Trump abusou do poder que lhe é conferido pela presidência para tentar levar uma potência estrangeira a beneficiar a sua campanha de reeleição. Esta foi, de resto, a acusação central de um denunciante anónimo da CIA, que se reportou a um telefonema de 25 de julho, entretanto transcrito com edições, entre Trump e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Durante a chamada, o Presidente norte-americano fez depender a disponibilização de ajuda militar a Kiev da abertura da investigação aos Biden. A ajuda foi finalmente libertada em setembro, depois de o denunciante ter dado o alerta. A queixa levou os democratas, maioritários na Câmara dos Representantes, a darem início a uma investigação de ‘impeachment’.

OBJETIVO ERA ERRADICAR CORRUPÇÃO NA UCRÂNIA, DIRÃO REPUBLICANOS
As audições também darão aos congressistas republicanos a primeira oportunidade para defenderem o seu Presidente. Eles deverão argumentar que Trump não fez nada de errado ao apelar à investigação em Kiev, uma vez que o seu objetivo era erradicar a corrupção na Ucrânia e não tirar proveitos políticos ao eventualmente prejudicar o adversário. Segundo o “Times”, os republicanos também deverão levantar dúvidas sobre as testemunhas, dizendo tratar-se de burocratas que não foram eleitos e que simplesmente discordam de Trump.

O início está marcado para as 10h de Washington (15h em Lisboa), com as audições do embaixador em funções dos EUA na Ucrânia, William Taylor, e o vice-secretário adjunto dos EUA para os assuntos europeus e euro-asiáticos, George Kent. No mês passado, numa audição privada, Taylor denunciou um ‘quid pro quo’, isto é, uma contrapartida “explícita”, algo que Trump sempre negou.

Kent testemunhou que foi advertido por um superior para “não levantar ondas” depois de manifestar a sua preocupação com a atuação do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, em relação a Kiev.

MAIS TRÊS DIAS DE AUDIÇÕES NA PRÓXIMA SEMANA
Na sexta-feira, é a vez de a ex-embaixadora americana na Ucrânia, Marie Yovanovitch, ser ouvida. A diplomata, que em maio foi abruptamente afastada do cargo, revelou no mês passado ter tido conhecimento de que Giuliani estaria interessado ou que já estaria a comunicar com alguém na Ucrânia, no final de 2018, com o propósito de investigar informações relevantes para o jogo político interno.

Entretanto, os democratas anunciaram que haveria mais três dias, durante a próxima semana, de audições de oito testemunhas adicionais do ramo diplomático, da Casa Branca e do Departamento de Estado norte-americano.

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