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Cuba, solidariedade do Celam aos bispos locais: “Apoiem a esperança do povo”!

Publicado em: 14/07/2021 - 3:24

Até agora, uma pessoa morreu nos protestos desencadeados em Cuba há algum tempo. Na origem das tensões, está a grave crise econômica do país, acentuada pela pandemia da Covid-19 que, até agora, causou mais de 250 mil contágios e mais de 1.600 mortes. O governo é acusado pela Comunidade internacional de ter feito “prisões inaceitáveis” entre os manifestantes, enquanto a Conferência Episcopal, num comunicado de 12 de julho, pediu a reconciliação, a busca de acordos comuns e a escuta recíproca. Os bispos cubanos são apoiados Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) que expressa sua solidariedade à Igreja em Havana “diante dos acontecimentos que afetam a vida, a dignidade e a liberdade das pessoas”.

“Não podemos fechar os olhos, como se nada fosse”, escreve o Celam, desejando que “a resposta aos pedidos da população não seja o imobilismo”, nem “o endurecimento das posições que poderiam prejudicar a todos”. Os bispos latino-americanos fazem seu o convite reiterado em várias ocasiões pelo Papa Francisco, ou seja, que “os gritos do povo sejam ouvidos e os conflitos resolvidos através do diálogo”. Uma outra exortação foi lançada ao governo cubano para que busque soluções concretas, considerando que “nenhuma ação violenta ou agressiva permitirá aos povos avançar nos caminhos da fraternidade, da justiça e da paz”. Por fim, a Igreja católica em Havana é incentivada pelo Celam a “continuar apoiando a esperança dos cubanos, fortalecendo, como no passado, a salvaguarda do bem comum”.

A Conferência dos Religiosos Cubanos (Concur) também interveio no clima de tensão verificado estes dias na ilha, afirmando numa nota: “Acolhemos com profundo respeito e interesse os gritos e esperanças do povo em protesto. Como pessoas consagradas”, prossegue, “vivemos estes acontecimentos com fé e também reconhecemos nestas exigências da população a voz de Deus”. “Aqueles que saíram às ruas não são criminosos”, reiteram os religiosos, “mas pessoas comuns de nosso povo que encontraram uma maneira de expressar seu descontentamento”.

A Concur sugere “cinco pontos-chave” para “superar a difícil situação atual e construir a fraternidade entre todos”: o primeiro é a proteção do “direito legítimo e universal que todo cidadão tem de se manifestar em público de forma disciplinada e pacífica”; o segundo é “a libertação imediata de todos aqueles que foram injustamente presos pelo simples fato de terem expressado suas opiniões e exercido seu direito de manifestar”.

Em terceiro lugar, a Concur reitera a proteção do “direito à informação e comunicação, um direito que tem sido violado ao extremo devido a cortes nas linhas telefônicas dos celulares e do bloqueio das redes sociais”. Isto, de fato, aumenta “a incerteza e a confusão de uma população que já se sente sobrecarregada por situações econômicas, sanitárias e sociais críticas”. Como quarto ponto, os religiosos cubanos exortam a todos a evitar “a armadilha da violência como meio de impor a verdade”. É “preocupante”, de fato, a atitude do governo que, sem “capacidade de diálogo e escuta”, “ataca, rejeita, persegue e condena quem pensa diferente e o diz em público”.

Por isso, como último mas não menos importante instrumento-chave, a Concur exorta todas as partes envolvidas “a se ouvirem mutuamente”, de modo a “remediar as causas que deram origem às manifestações”. “Somente indo à raiz dos problemas podemos realmente resolvê-los” é a observação dos religiosos cubanos. A nota se conclui com uma invocação à Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira do país, para que “superando todas as tentações de violência e exclusão, nos guie nos caminhos da fraternidade, da reconciliação, da justiça e da paz”.

 

Fonte: Vatican News Service – IP/MJ



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