Pai e filho conseguem autorização da Justiça para plantar, carregar e consumir maconha para fins medicinais

Eles ficaram conhecidos nacionalmente após Filipe Suzin gravar um vídeo no qual o pai, que tem Alzheimer, o reconhece após usar o óleo extraído da maconha.

Pai e filho conseguiram na Justiça autorização para plantar, consumir e portar maconha para fins medicinais. Filipe Barzan Suzin ficou conhecido após gravar um vídeo em que conta que, depois de muito tempo, o pai, Ivo Suzin, que tem Alzheimer, o reconheceu após usar um óleo extraído da maconha, em Goiânia. Com a decisão, eles não podem ser presos nem enquadrados criminalmente pelo porte da substância.

“Não sei nem descrever o que estou sentindo com essa decisão. Tirou um peso das costas porque eu e meu pai dependemos desse remédio e, a qualquer momento, a gente poderia ser abordado. Isso mostra que a Justiça está evoluindo em relação ao assunto. O juiz foi muito sensível à nossa situação”, disse Filipe.

A sentença foi dada na segunda-feira (13), após ação proposta por pai e filho. Ivo faz tratamento à base do óleo da maconha, e a família percebeu uma melhora significativa após o uso. Ele está mais calmo e com uma qualidade de vida melhor, se alimentando, conseguindo descansar, o que era muito difícil anteriormente, segundo os parentes.

Já Filipe foi diagnosticado em 2009 com leucemia mieloide crônica. Com isso, tem constantes enjoos, dores, ansiedade e insônia. Para minimizar os sintomas, ele também começou a fazer uso da maconha.

Os dois têm acompanhamento médico. Os exames mostram que eles tiveram melhoras no quadro de saúde após o uso dos derivados da erva. Porém, como precisam dos produtos e a associação que faz o fornecimento em Goiânia não produzia o suficiente, além do preço para importação ser muito alto, Filipe decidiu entrar com a ação para que fosse autorizado o plantio e consumo.

Na sentença consta que os dois já tinham autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para importação do canabidiol. “O que importa é que fazem com acompanhamento médico como tentativa de controlar os sintomas das doenças que os afligem”, diz a decisão.

Diante disso, a Justiça concedeu um salvo conduto para que policiais civis, federais ou militares “se abstenham da prática de atos de prisão, apreensão ou investigação que tenham por objeto o cultivo, uso e porte de cannabis (maconha), sementes e derivados pelos pacientes”.

Porém, a decisão reforça que eles ficam proibidos de vender o ceder a planta, semente e derivados a outras pessoas. Filipe conta que já produz o óleo para o pai e que fuma maconha para minimizar os sintomas da doença. Agora, ele já fez várias cópias da decisão para deixar em casa e sempre carregar uma para, caso seja abordado eventualmente, poder apresentar o documento.

“Demoramos para montar o processo porque estávamos juntando vários documentos, fizemos vídeos mostrando os relatos, melhoras, para não ficar nenhuma dúvida sobre os benefícios. É o único remédio que funciona para o meu pai e, agora, tenho esse acesso garantido”, disse Filipe.

 

Vitor Santana

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Por Chico Oliveira/Tereré News   Empresa Jornalística    ouça este conteúdo   Edição Impresa.